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Os Fergusons

Sir Alex Ferguson CBE*, anunciou a aposentadoria hoje, depois de 27 anos à frente do Manchester United FC. Vários títulos locais, continentais e mundiais foram conquistados. Muitos vão falar do trabalho dele, legado para o esporte e fazer inúmeras análises sobre sua carreira.

Prefiro destacar o método de trabalho dele em estabelecer e seguir uma metodologia para a construção de equipes de alto-rendimento, estabelecendo hierarquia, liderança e liberdade. Depois que Anderson (ex-Grêmio FBPA e ex-FC Porto) foi para lá não ouvimos mais sobre casos de indisciplina do brasileiro. Eric Cantona por lá teve êxito, mas não durou muito.

alex aberdeenNo entanto, observar esses pontos com um olhar apenas ao Manchester United, é ingenuidade. As maiores conquistas dele foram no escocês Aberdeen FC (foto). Um clube pequeno – distante dos grandes Glasgow Rangers e Celtic – cujo treinador o conduziu para os títulos de 3 ligas, 4 copas e uma Recopa Europeia, sobre o Bayern de Munique. A outra grande conquista continental de um clube escocês foi a do Celtic com a Liga dos Campeões, em 1967. Em analogia, foi o que Brian Clough fez com o Nottingham Forest da Inglaterra, ao conquistar a mesma Liga dos Campeões da Europa por duas vezes (1979 e 1980), claro, guardadas as devidas proporções.

O que um manager como Ferguson deixa perceber ao meu ‘olho nu’, é em saber transformar grandes elencos com atletas de distintos perfis, em famílias. Famílias felizes, como são ‘Os Simpsons’, dão resultados e audiência, assim como são (eram) ‘Os Fergusons’.

* CBE – Comendador do Império Britânico

Família

A discussão do esporte, muito mais que a política, sempre foi muito mais democrática, esteve muito mais ao alcance de todos em comparação com outros temas. Isso é evidente. Na história dos Estados-Nação modernos a política esteve restrita a uma elite. Foi também através dessa elite por onde o esporte entrou na sociedade de cada país. No entanto essa elite, diferentemente de como aconteceu com a política, não teve instrumentos para controlar a difusão dele para as demais camadas sociais.

Isso faz com que todos julguem experts ao palpitar em qualquer área do que chamamos Indústria do Esporte.

Uma dessas áreas é a gestão de equipes de alto-rendimento. Tarefa árdua, delicada e complicada de satisfazer diversos interesses e servir de ‘pára-raios’ em inúmeras situações com dirigentes, torcedores, imprensa e os próprios atletas. O gerente e sua equipe fazem parte do grupo e têm trabalhar para e estar ao lado dos jogadores. Scolari tinha razão com a sua família. Atletas felizes formam ambientes bons, propícios para conseguir bons resultados. No esporte, bons resultados significam vitórias. Vitórias chamam a atenção e geram visibilidade, que potencializa os rendimentos.

Temos, com isso, um ciclo. Um ciclo familiar para os que sabem fazer a máquina andar.

 

Tudo como d’Antes

Impressiona-me como preocupam-se com as renúncias de Jack Warner, Chuck Blazer (CONCACAF), Nicolas Leoz (CONMEBOL) e, mais recentemente, João Havelange, da Federação Internacional de Futebol (FIFA).

A repercussão é muito grande, mas o efeito disso nas nossas vidas, inversamente proporcional.

Federações e Confederações são entidades de direito privado. Se ex-dirigentes enriqueceram-se ilicitamente, esse problema é das próprias instituições. Toma essa dimensão porque, diferentemente das entidades, o futebol é público. No entanto, absolutamente nada vai mudar. Eles saem de cena e não vai haver punição. Entram outros no lugar deles.

O blogueiro não concorda com nenhuma dessas atividades ilícitas dos ex-dirigentes. No entanto, é ingenuidade pensar que alguma coisa vai mudar a partir dessas renúncias.

Tudo como d’antes no quartel-general em Abrantes.

All Americans

É possível que em 2015 a Bridgestone Libertadores conte com equipes estadunidenses e canadenses, da MLS (Major League Soccer). CONCACAF (Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e do Caribe) e a CONMEBOL (Confederação Meridional de Futebol / Confederação Sul-Americana de Futebol) negociam.

Ganham as equipes latino-americanas e as televisões em mercado consumidor e poder de consumo. Ganham as equipes estadunidenses em competitividade e intercâmbio, fora a internacionalização da liga deles. Nós aqui no Brasil podemos acompanhar a MLS. O contrário não acontece em um canal de lá.

Acima de tudo ganha o torneio, com o know-how norte-americano, necessário para competir com uma liga semelhante que é a europeia ‘Liga dos Campeões’. Afinal, as crianças sul-americanas começam a torcer para Barcelona ou Borussia Moenchengladbach (sem sequer saberem pronunciar esse nome) e isso não é bom. Significa menor mercado consumidor.

Pontos a serem observados: logística e fuso horário, que interferem no desempenho do atleta e na audiência da TV. A caminho de uma Bridgestone Libertadores…das Américas!

Difícil Projeção

Ontem vi um cartaz do mundial de futebol 2014, em que mostrava a reforma do Beira-Rio (estádio do SC Internacional) para o evento. Imediatamente a foto (não é a deste post) me lembrou o coliseu, em Roma.

O coliseu estava para a Roma do Império o que os estádios de futebol representam hoje em boa parte do planeta. Isso há cerca de 2 mil anos, com as corridas de bigas, lutas e espetáculos atléticos. O futebol, representante do esporte moderno, é fenômeno muito recente, com cerca de 150 anos. Entre o que acontecia em Roma e a atualidade, tivemos como ‘esportes’: duelos de cavaleiros, caças, a própria tourada, além dos jogos com bola medievais. Atualmente temos o basquete, futebol, voleibol e o rúgbi, que substituem os jogos com bola. As artes marciais que substituem as lutas. Os carros de corrida no lugar das bigas. Eles geram muitos rendimentos, emprego e riqueza, realidade completamente distinta da de dois mil anos atrás.

Em 150, 200 anos provavelmente os espetáculos que atrairão as multidões não serão mais os mesmos. Os esportes modernos não durarão 500 anos, ou mil. Essas outras manifestações populares da Idade Média não duraram metade disso. Engana-se quem acha que essa discussão não levará a lugar nenhum. Pelo contrário, faz-nos pensar em aproveitar o agora, o rúgbi, o futebol, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, com a diferença de deixar um legado de sabedoria e humanismo para as futuras gerações.

Papa Pop

Que bom um Papa Argentino! Melhor, impossível! Ainda mais um Pontífice que paga a própria conta do hotel, recusa o papa-móvel, convive com as pessoas comuns. Natural para um religioso Latino-Americano, que vem de uma região do planeta em que o trabalho da Igreja com as causas humanitárias – e com isso o contato com as pessoas – sobressai.

Jorge Mario Bergoglio, conhecido atualmente também como Francisco I, à época em que morava em Buenos Aires tomava o metrô, acompanhava o tango mais de perto e seguia o San Lorenzo no Novo Gasômetro. Ainda é sócio do clube! São detalhes como estes que vão aproximar a Igreja da população, cativar os católicos e aumentar o número de fiéis. É até contraditório, mas são estes pormenores que construirão uma Igreja mais humana.

Só falta agora o Papa – como bom argentino – liberar o bife de chorizo na Sexta-feira Santa. É a divinização do churrasco. Aí sim ele cai nas graças do povo. E se disser que gosta de rugby, até eu me converto pro Catolicismo!

Uma Grande Jogada

A grande jogada da última quarta-feira  (ontem, 30 de Janeiro de 2013) é valorizar a manifestação popular dos torcedores no futebol através da avalanche, quando os eles – no topo das arquibancadas da linha-de-fundo – correm para trás de uma das balizas, quando marcado um gol. Falar que isso é moda ou imitação estrangeira, é não conhecer sobre a cultura do esporte e de seus fãs.

Claro que na América do Sul isso é mais comum no Chile, Uruguai, Argentina. Na Europa, disseminada pelos ‘Commando 84’ do Olympique de Marselha; era entre os ‘Ultras Sur’ do Real Madrid e a ‘Frente Atletico’, do Atlético de Madrid. Em Portugal era feita, por exemplo, pelos integrantes dos ‘Panteras Negras’ do Boavista. Essas manifestações deixam o espetáculo mais bonito e apaixonado, entretanto perigoso. Após o rompimento das grades do novo estádio do Grêmio, ontem, durante uma ‘avalanche’, proibi-la não vai inibi-la. Que permitam fazê-la, mas com segurança. No jogo de Porto Alegre aquelas grades não iam suportar tanto peso.

A decisão de participar dessas manifestações – que são parte do espetáculo – é de cada torcedor. Se proíbem-nas, o próximo passo é não permitir os torcedores de saltarem. Já pensaram nisso? Que a segurança seja reforçada, portanto. E aproveitem para fazer como se faz no Japão, onde usam os pulos dos fãs na geração de energia elétrica para o estádio.

O Esporte no Fim do Mundo

Campo2Este blogueiro tem andado pelo fim do mundo. Onde dizem que o mundo tem um fim, nas organizações urbanas mais austrais do planeta, nomeadamente Puerto Williams (Chile) e Ushuaia (Argentina). Aqui o frio é constante, entre 3 e 10 graus. O sol nasce às 3:30h e se põe às 23h. Predominam os esportes de aventura e os motorizados, como os rallies.

O solo é hostil, agricultura quase não existe. Por isso, pra nascer grama faz-se um grande esforço, mas nada de outro mundo para quem é do rugby. São quatro campos oficiais aqui em Ushuaia, contra apenas um do futebol. Vejam só, quatro campos oficiais, no extremo sul do planeta, em condições extremamente adversas! Já no Brasil é um parto para se ter um!

O esporte está na vida dos fueguinos como para qualquer argentino, brasileiro e sul-americano: correr é um hábito, muitos jogam tênis porque há quadras públicas, a pelada do fim da tarde é igual em qualquer rincão, e a equipe local de Rugby é o orgulho da cidade, delegação que leva o nome da cidade pelo País. Levam tão a sério que treinavam no sol das 21h de um sábado, quando muitos, em outros lugares, preparavam-se para a noitada. Aqui é assim, perde-se a noção do tempo e se procura aproveitar o máximo de horas de sol.

Coisas do fim-do-mundo!

Em tempo: sugiro à CONSUR (Confederação Sul-Americana de Rugby) organizar algum sul-americano de sevens por aqui, a fim de promover a nossa região e nosso continente!

 

 

O Rival

Se não houvesse o outro, não seríamos nós mesmos. Só somos brasileiros, porque existem portugueses, italianos, japoneses e argentinos. Se não fosse o River, o Boca não seria tão grande. Durante a Guerra Fria, se os soviéticos não investissem tanto no esporte, os EUA não seriam potência esportiva. Naquela situação uma vitória nas Olimpíadas simbolicamente significava supremacia ou do socialismo, ou do capitalismo.

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Dentre diversos motivos o Corinthians é Corinthians em função da grandeza do Santos, São Paulo e Palmeiras. Isso faz com que queiram ser mais. E vão querer ser mais ainda. O futebol gaúcho é bem-sucedido porque um clube, em certas ocasiões, teve bastante sucesso (Grêmio). O outro não ia querer ficar atrás e correu à frente (Inter). O mesmo não acontece no futebol do Rio nem em Minas Gerais. Nas Alterosas qualquer conquista do Cruzeiro fará a instituição maior que o rival: o Atlético há muito tempo não vence nada. O mesmo passa no Rio de Janeiro. As equipes não ganham muita coisa, portanto não vêem sentido em investir para serem maiores e melhores.

É por isso que o rival tem um papel fundamental na indústria do esporte. Certamente não é o único motivo para a existência e sobrevivência de uma instituição esportiva, no entanto, é um dos fatores que mais impulsionam este universo.

Em tempo: se há o Celtic, é porque existe o Rangers, logo, se há católicos romanos (Celtic) é porque há aqueles que não são (Rangers).

Integração

A Associação Europeia de Futebol (UEFA) anunciou na semana passada que a Euro de 2020 não terá um país-sede, mas sim várias cidades-sede espalhadas por aquele continente. A explicação é repartir os ganhos do torneio por todo o território europeu. Sábia ideia.

uefaEventos parecidos são possíveis de ser realizados em apenas algumas regiões do planeta: Europa, Estados Unidos/Canadá, Austrália/Nova Zelândia e Golfo Pérsico. Fatores que contribuem para isso: integração regional em termos políticos, econômicos, sociais e que favorecem o deslocamento. Aos mais céticos, um voo Berlim-Lisboa leva cerca de quatro horas. Auckland-Sydney cerca de duas horas e meia.

Na América do Sul isso não seria possível. Não há integração política, econômica e social. Enquanto Colômbia, Peru e Chile caminham para um futuro próspero, Venezuela, Equador, Bolívia e, às vezes Argentina, retrocedem. O deslocamento também não é nada fácil: no nosso continente temos os Andes, a Amazônia, o altiplano, o calor tropical e o frio polar. A língua não chega a ser uma barreira. Na Europa poderia ser, mas as políticas para o turismo são excelentes. São estes os mesmos fatores que também fazem com que a decisão da Libertadores não seja jogada em um campo neutro, como a Liga dos Campeões da UEFA faz na Europa.

O rúgbi também faz isso. O mundial de 1991 teve jogos na Ilha da Irlanda, no Reino Unido e na França. O de 2007 contou com partidas, além da França, no Reino Unido.

Assim como no esporte, só mesmo a integração para que o bolo seja dividido justamente.


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