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Homeless

Ponteiros durante a fase de pontos corridos da série A2 do campeonato paulista de futebol, as empresas-times Audax (Grupo Pão de Açúcar) e Red Bull classificaram-se para o octogonal final e correm o seriíssimo risco de não se apurarem para a série A1, a principal de São Paulo.

Fator influenciador neste desempenho inferior da fase final é o fator casa. São clubes sem torcida. Torcida pula, salta, vibra. Colore. Preenche. Canta. E o canto é capaz de produzir, em quem canta e em quem ouve o canto, hormônios que contribuem para o aumento da auto-estima. Confere a um grupo o sentido de pertencimento.

Como dizia Eduardo Galeano, “jogar sem torcida é dançar sem música”.

A Nacionalizar

Muitos foram pegos de surpresa nesta semana com a nacionalização da Repsol/YPF pela Presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner (CFK). Outrora estatal, a Yacimientos Petroliferos Federales (YPF) fora comprada pela empresa espanhola durante o programa de privatizações levado a cabo pelo antigo Presidente Carlos Menem, durante a década de 1990. Do dia para a noite, a principal empresa de petróleo argentina volta a ser do Estado, sem aviso prévio, sem esclarecimentos, como se fosse um turvo golpe para a tomada de poder. A credibilidade, fundamental para a atração de investimentos externos, fica abalada. Assim sendo, menos recursos entram no País. Menos recursos, menos empregos em longo prazo.

Política populista, sem dúvida alguma. A cada obra o nome da Presidente é exaltado. A disputa – diplomática – das Ilhas Malvinas é outra iniciativa para exaltar o seu governo. O controle da imprensa, é para tentar mantê-la no poder. A estatização da Aerolineas Argentinas é outro grande exemplo.

Fora o populismo, qual seria a vantagem de tudo isso? Controle da tecnologia. Com estas empresas em mãos do Estado, tem o País agora o controle sobre não apenas a exploração de petróleo, mas também sobre a tecnologia em extraí-lo, refiná-lo e distribuí-lo. Dessa forma, pode a Argentina iniciar uma política de auto-suficiência em petróleo, ao formar profissionais especializados capazes de compartilhar o conhecimento através do ensino e da pesquisa. Por isso entende-se inovação. De igual maneira é ter controle da Aerolineas Argentinas, conhecer a frota aérea para o desenvolvimento de uma própria ou então ter a autonomia em criar novos corredores aéreos para o desenvolvimento de políticas para o turismo naquele país.

Como o esporte envolve as massas, e massa significa voto, o esporte, sobretudo o futebol, também entra nessa jogada. O futebol local agora é transmitido pela TV pública para toda a Argentina. Antes, era pela TV por assinatura. Por muito pouco o governo Kirchner não patrocinou um piloto local para fazer parte da Fórmula 1, uma das grandes paixões daquele país, desde os tempos de Fangio e Reutemann. Neste caso, não é domínio de uma tecnologia específica, mas o controle da tecnologia do voto, através do populismo.

Não é papel deste texto julgar as políticas do governo Kirchner, na Argentina. É sim mostrar que o esporte não escapa das estatizações. Próximo passo talvez possa ser o de nacionalizar Messi. Trazê-lo de volta pro Newell’s.

Não duvido nada.

 

Do interior

Feliz Páscoa a todos!

Esporte é investimento. Investimento para a formação pessoal, investimento para o crescimento profissional, investimento financeiro com fins comerciais. Atentemos para este último. Esporte é negócio, é comércio, o torcedor é consumidor. Menos torcedores, menos consumidores, menor o lucro. Menor o lucro, menos competitivas são as equipes profissionais. Se menos competitivas, pior o resultado. Piores resultados, menos ainda o número de torcedores. Diminui ainda mais o lucro.

Kazu, maior jogador do Japão, começou no XV

Kazu, maior jogador do Japão, começou no XV

É isso o que está acontecendo no interior do Brasil, sobretudo em São Paulo. No futebol, a diferença entre grandes clubes da capital e as equipes do interior é muito grande. Nem os que mais têm investimento sobrevivem, como o Comercial e o Botafogo, de Ribeirão Preto; o Noroeste, de Bauru. Elas já não conseguem vencer tanto, não conseguem formar e vender jogadores, cada vez menos torcedores vão aos estádios, pois preferem torcer para as formações da capital, mais ricas, competitivas e vitoriosas.

Com isso, o interior perde a sua identidade, fundamental para o desenvolvimento regional. Identidade gera compromisso, identidade fortalece a construção de uma comunidade e o trabalho em seu benefício, em forma de cooperação e comunhão. Identidade é auto-estima. Não há identidade, logo, corre-se o risco de não haver auto-estima.

Qual a solução? Mantenham-se ao futebol se quiserem, mas trabalhem com o que é de casa. Formem as ‘pratas-da-casa’ e construam, desde a base, essa identidade. Recomecem-na. Ou então, construam essa identidade através de outras modalidades. Exemplo claríssimo disso é a equipe de rúgbi de Jacareí, no Vale do Paraíba. Com garotos de lá, a modalidade tem levado o nome da cidade Brasil afora. O mesmo acontece em São José dos Campos. A ‘Águia do Vale’, a equipe de futebol do São José EC já não chega perto da contribuição à sociedade joseense assim como faz o rúgbi local.

O interior já tem menos habitantes, logo, menos torcedores e, claro, menos consumidores. Quanto mais consumidores, melhor. E o futebol atingiu um ponto em que ou se tem muito investimento – como as equipes do Audax e do Red Bull -, ou mercado consumidor. É possível ter mercado consumidor com o esporte no interior? Sim. Para isso, é preciso recriar a identidade e, com ela, cativar e fidelizar os consumidores.

Escrevo isso por que o meu clube, o XV de Jaú, caiu. Hoje. O que aconteceu com o XV hoje, aconteceu com a Inter de Limeira também, campeã paulista de 1986! E pode ser o destino de outros tantos clubes. O futebol tem solução no interior, sim. Mas acredito no rúgbi como importante fator para a reconstrução de uma identidade com base nos valores que só ele possui.

Feliz Páscoa uma vez mais!

Malvinas / Falklands

Detalhe da camisa do Ferro Carril no jogo contra o River Plate, no dia 30 de Março

Detalhe da camisa do Ferro Carril no jogo contra o River Plate, no dia 30 de Março

Hoje faz 30 anos do início da tentativa argentina, por meio militar, para a retomada das Ilhas Malvinas – sob domínio britânico -, arquipélago com mais de 700 ilhas no Atlântico Sul, que os ingleses chamam de Falklands.

Ao fim de pouco mais de 2 meses a guerra termina com a vitória britânica. Thatcher fortalecida no Reino Unido, cujo governo duraria até o final daquela década de 80. Regime Militar enfraquecido na Argentina, que terminaria em dezembro do ano seguinte, 1983. Rompimento de relações diplomáticas entre Reino Unido e Argentina. Ódio. Desconfiança. Apesar do seu término, a guerra continuava no plano político e esportivo. Uma vitória Argentina simbolicamente representa(va) um retorno Sul-Americano às Ilhas. Uma vitória britânica (sobretudo inglesa) simbolicamente representa(va) a manutenção do arquipélago como Falklands.

Isso aconteceu em algumas modalidades. No fim dos anos 80, quando Inglaterra e Argentina voltaram a se enfrentar no rúgbi, os jogos eram marcados pelas lembranças à guerra de 1982. Entretanto, exemplos mais conhecidos são os do futebol: Osvaldo ‘Ossie’ Ardiles atuava pelo Tottenham quando Galtieri (presidente da Argentina à época) ordenou a retomada das Malvinas. No dia seguinte, em jogo contra o Leicester, a torcida adversária o hostilizava, mas a do Tottenham gritava: “Ossie, Ossie, Ossie…Argentina!”. Ademais, Ardiles não conseguiu terminar a temporada de 1982 em função do clima hostil entre os dois países, além de ter tido um primo morto naquela guerra. ‘Ossie’ ainda voltou para o Tottenham em 1984, ajudando o clube na campanha para a conquista da Copa da UEFA (atual Liga Europa) de 1984.

No entanto, não há melhor exemplo do que o Inglaterra-Argentina do Mundial FIFA 1986 e a vitória alvi-celeste por 2 a 1, com 2 gols de Maradona. Um, de mão. O outro, não há palavras para descrever. Apenas veja e sinta o significado desta rivalidade através da narração de Victor Hugo Morales:

Enquanto na política, na economia e na diplomacia houver diferenças, o esporte sempre será instrumento – simbólico – que poderá representar a superioridade do dominado sobre o dominador.

Sem Fim

A morte de dois torcedores em decorrência das brigas entre torcidas em São Paulo no último fim-de-semana trouxe à tona novamente a discussão sobre a atuação das torcidas organizadas, a violência e da atuação do poder público.

Dizem que a polícia devia fazer isso ou aquilo e que o Governo devia ter atuado de uma determinada maneira, com o objetivo de eliminar esse tipo de violência no esporte, especificamente o futebol. Àqueles que acreditam nisso, lamento dizer: essa violência não vai terminar. Continuará por existir. Se alguns torcedores forem conduzidos à clandestinidade, isso pode ser pior: grupos de torcedores poderão, com o tempo, a cada dia parecerem-se mais com seitas, estabelecendo-lhes a condição de uma quadrilha e que, em um caso extremo, a constituição de um ‘estado paralelo’.

Dentro dos estádios a violência é sim capaz de ser reduzida. Novas políticas de aquisição de ingressos para os jogos – como, por exemplo, dar prioridade aos sócios ou aumentar o preço dos bilhetes – e atuação policial preventiva podem preservar o esporte. Imaginar que as brigas de torcedores, longe dos recintos de jogos, pode terminar, é inocência. É portanto preciso fazer com que estes enfrentamentos não envolvam inocentes. Para isso sim, é preciso da intervenção policial.

Série do Discovery, “Football Factories”, sobre as torcidas na Sérvia e na Croácia

É ruim pensar assim, mas necessário para encarar esse problema da violência em decorrência do esporte, de frente, para preservar o torcedor comum, aquele que realmente consome o esporte, sobretudo o futebol.

 

Contra-Ataque

Beckenbauer. Platini. Leonardo. Hortência. Marcus Vinicius Freire. Nuzman. Em comum, todos eles são gestores esportivos. Todos possuem um compromisso com a organização esportiva que representam, todos possuem uma formação e, ex-atletas ou não, são os que mais trabalham e menos saltam aos olhos da imprensa quando o assunto é a política do esporte. Claro. O negócio deles é o esporte, é trabalho. Não é política.

Quando falamos da política no esporte, lembramo-nos de, por exemplo, Romário, cujo mandato se baseia no ataque a Ricardo Teixeira, que recentemente renunciou à presidência da CBF. Para chamar a atenção, nada melhor do que bater de frente com uma pessoa com alto índice de rejeição. No entanto, projetos para o esporte, de autoria do Deputado Romário, não chegam ao grande público.

Ronaldo, o ‘Fenômeno’, declarou sobre a possibilidade de presidir a CBF. Muitos poderão achar que ele resolverá os problemas do futebol brasileiro. Alguns outros desejam que um ex-atleta deva ser o Ministro dos Esportes. Ora, se estes cargos são apenas figurativos, nenhum problema. Entretanto, são postos executivos, necessitam formação e dedicação integral de seus ocupantes. Se estiverem preparados para desempenhar tais funções, será ótimo. Caso contrário, a falta de iniciativa, método e execução, comuns no esporte brasileiro, continuarão como sempre foram.

A reação de conhecidos ex-atletas como Ronaldo ‘Fenômeno’, Romário, dentre outros, pode ser considerado um ataque da classe à lacuna deixada com a renúncia de Ricardo Teixeira, que culmina agora com o grave estado de saúde de seu ex-sogro, João Havelange.

Por outro lado é uma chance para o gestor esportivo em mostrar que uma estrutura profissional, com base nos resultados financeiros e esportivos (não apenas esportivos) são o caminho para o sucesso do esporte no Brasil dentro e fora de campo. A cada dia surgem mais exemplos que evidenciam isso: o rúgbi brasileiro, o Red Bull Brasil, os Audax (SP e RJ), o judô e o vôlei nacionais. Há a chance de o gestor esportivo desenvolver um contra-ataque em benefício exclusivo de quem faz o espetáculo (atleta) e  de quem o consome (torcedor).

O Discurso do Príncipe

Não é Rei, como no filme “O Discurso do Rei”, mas é Monarca e prega um discurso comum e universal: o esporte. É através dele que o Reino Unido procura se aproximar com o planeta, representada pela sua Família Real.

Nada melhor como instrumento para fazer isso, afinal o esporte é uma linguagem universal, integradora, de fácil entendimento e politicamente ‘neutro’. 2012 é ano de Jogos Olímpicos, Londres receberá o evento. Mais um fator para o esporte servir de motivo para os Britânicos lançarem-se ao mundo novamente, assim como foi durante o século XIX. Não há como negar: se não fossem eles, não jogaríamos futebol, rúgbi ou críquete. Talvez o conceito de esporte moderno seria outro, afinal, caso o Império Russo fosse predominante à época, dificilmente jogaríamos o hóquei-no-gelo por 2 motivos: 1) o clima, óbvio; 2) o hóquei-no-gelo é uma variante do hóquei-na-grama, surgido na Inglaterra. Ou seja, se não houvesse o hóquei-na-grama, não haveria o hóquei-no-gelo.

Harry, o Príncipe que veio ao Brasil há alguns dias para promover o seu Reino, jogou bolas (a oval e a redonda) e pólo, representa muito bem a imagem que se quer passar da Grã-Bretanha para o planeta: juventude, humanismo, versatilidade e dinamismo.

2012 is Great Britain (um dos lemas da campanha de divulgação do Reino Unido pelo mundo; 2012 é ano de Olimpíadas, ou seja, um grande ano, ‘Great’, e aproveita para completar o nome do País, com, ‘Britain’, grande como é o ano).

Diferentemente das últimas décadas, em que o Reino Unido manteve-se em confortável situação sócio-econômica, os últimos anos mostraram que ‘olhar’ apenas para a Europa e suas ex-colônias não é iniciativa sustentável em longo prazo em termos econômicos e diplomáticos. Para isso, a maneira menos agressiva de se aproximar desses países, é o esporte. Ao se aproveitar dos Jogos Olímpicos e por ter sido lá onde o esporte moderno surgiu, os Britânicos fazem muito bem em usar o esporte como instrumento para se promoverem.

Em princípio essa política não sustenta um regime político baseado no autoritarismo e na ausência de direitos humanos. Por isso, não podemos dizer que é errado o Reino Unido usar o esporte para tal. O Brasil fez o mesmo, em 2004, no Jogo da Paz, no Haiti.

Lado B

“Quando se vence, dá-se mais mérito ao talento, mas não se olha para a organização. Quando se perde, colocam culpa na falta de organização, mas não na falta de talento, e sempre será assim”. Esta frase é de Ricardo Teixeira, ex-Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, um dos cinco nomes mais falados do Brasil, que ocupava um dos cargos mais importantes do País, como presidente do organismo máximo da modalidade mais popular da nação e do planeta. Lidava aproximadamente com 200 milhões de apaixonados.

Sob denúncias de tráfico de influência, corrupção dentre outros escândalos, Ricardo Teixeira renunciou ontem à Presidência da CBF. Não falaremos aqui sobre estes temas, para isso já basta toda a imprensa. Ademais, é uma entidade privada, sem a necessidade de levar ao público a sua prestação de contas. Entretanto, falamos sobre o trabalho dele com a Seleção Brasileira de futebol, um dos produtos da CBF.

E realmente um produto. Na administração dele, o futebol brasileiro tornou-se definitivamente um produto e ganhou corpos do mundo inteiro que vestem a camisa do Brasil, quer seja em um Mundial de futebol, em encontro com amigos ou em uma balada. Obviamente, com contratos de patrocínio, o Brasil conseguiu uma maior projeção mundial. Em função disso, não convém mais fazer jogos no País: o estrangeiro é tão fanático quanto o brasileiro pela Seleção, menos contestador (o que sugere um ambiente menos hostil) e está disposto a pagar muito mais caro pelo ingresso do que um brasileiro comum.

Recebeu uma instituição falida em 1989 e a transfere financeiramente bem saudável. De títulos, só falta a medalha de ouro Olímpica. Seleções adulta e de base, com todo o suporte e infra-estrutura necessários para estarem nos lugares mais altos das competições. A CBF é sim exemplo de administração esportiva em como ela reverte os seus recursos em benefícios para atletas (em serviço da CBF) e funcionários, haja vista a antiga Granja Comary, a nova sede da instituição na Barra da Tijuca e o novo centro de alto-rendimento, no Rio de Janeiro.

Realmente quando se ganha, só se vê o talento dos jogadores, porque é só isso que é mostrado pela TV ou visto no estádio. Não se vê a organização/trabalho que faz com que o jogador seja colocado em campo, o ‘Lado B’. Realmente quando se perde, colocam culpa numa suposta falta de organização e não na ausência do talento. Para a ausência do talento, há a desculpa de haver ‘altos e baixos’

Panáthina, Episkiros e a Grécia

 

Torcida do Panathinaikos

Torcida do Panathinaikos

A crise por que a Grécia vem passando é reflexo dos grandes gastos do governo grego ao longo da última década e com poucas receitas. Em 2004 Atenas recebeu os Jogos Olímpicos de verão e para recebê-la, o governo do País foi displicente com os cofres públicos. Muitas reformas de infra-estrutura, modernizações das instalações esportivas e de transporte, mas nenhum legado. Contribuição nenhuma para a população grega, salvo pagar a conta disso tudo.

A Grécia nunca foi referência no esporte, infelizmente, ao contrário dos seus antepassados de Olímpia. No futebol, um – estranho – campeonato europeu de seleções em 2004, um vice-campeonato do Panathinaikos no Europeu de clubes no início dos anos 70, mas hoje um campeonato falido, de salários atrasados e com alguns clubes impedidos de seguirem em competições continentais em função do atraso nos salários. Atualmente, no mundo, o futebol que fala grego é cipriota, com o APOEL, sensação na Liga dos Campeões da UEFA.

Sem indústrias e mercado consumidor (10 milhões de habitantes), as saídas para a Grécia dessa crise econômica são cada vez menores, mas existem sim. Não convém aqui discutir tais saídas, mas no plano esportivo, por pior que seja, que o legado grego seja a da responsabilidade fiscal: gastos planejados e responsáveis, adequado ao mercado consumidor local. Com o exemplo helênico, é tudo o que a Grécia pode nos ensinar. Hoje.

 

Isso (ainda) Persiste

O esporte é talvez um dos únicos meios de manifestação das emoções, sentimentos e orientações – quer seja para o bem, quer seja para o mal -, sem haver uma condenação coletiva pela opinião pública. Quando há esta condenação, a pessoa se vale do anonimato, uma vez que age dentro de uma coletividade.

O sociólogo Marcel Mauss dizia que o esporte, sobretudo o futebol, é um fato social total. Pelas demonstrações racistas (fascistas, neonazistas ou nacionalistas) cada vez mais comuns no universo esportivo, entende-se a sociedade do País. Ameaça do desemprego, a aversão àquele que é diferente e que por isso pode ser considerado um perigo, qualquer motivo pode suscitar uma reação coletiva, estúpida e injusta.

Assim como o ‘hooliganismo’, isso não vai acabar no esporte. Poderá sim, dentro dos estádios, mas fora deles ainda vai haver, será cultivado e atinge o público que acompanha o esporte. Apenas a educação desde o berço para resolver essa questão. De nada vai adiantar campanhas que nada resolvem: apontam o problema mas não dão a solução. Ainda bem que é uma pequena parcela do público que dá o mal exemplo, conhecidos pela intolerância, só que é a parcela do péssimo exemplo.

É se é função de quem controla o esporte, protegê-lo e preservar quem o promove, o atleta, é preciso agir. Dizer ‘não’ à intolerância, é muito fácil. Agir contra a intolerância, é outra história e com poucas pessoas dispostas a encarar. Se não assumirem a situação, ela descamba, em pleno século XXI, numa era de abundante conhecimento.

O vídeo abaixo, ainda bem, é o contrário de tudo isso:


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