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De Visita

O jornal inglês “Daily Telegraph” elegeu os 5 estádios de futebol mais “hostis” do mundo. Ou seja, aqueles mais capazes de intimidar a equipe visitante. Apenas um brasileiro. Nenhum argentino! Nenhum chileno!! Nenhum paraguaio!!!
Torcida Verde

Torcida Verde

Eles lá colocaram o estádio do Borussia Dortmund (Signal Iduna Park) como o primeiro. Em seguida, o San Paolo, do Nápoli, da Itália. Em terceiro, o Ali Sami Yen, do Galatasaray (Turquia). A quarta e a quinta posições estão para o Mestalla (Valência) e o São Januário (Vasco), respectivamente.

Bem podíamos saber o critério e método utilizados para a escolha. Os do Nápoles,   do Galatasaray e do Vasco, tudo bem. São mesmo ambientes inacreditáveis. Entretanto observem abaixo quem o diário deixa de fora.

A Argentina possui vários exemplos e estádios que podem ser considerados como mais “hostis”. Levo em consideração que a tal “hostilidade” dá-se apenas através de cânticos de incentivo e vibração dos torcedores. Pode até ser uma visão romântica dessa situação. Nomeio o Parque Independência, do Newell’s Old Boys, o La Bombonera, do Boca e o Alfredo Beranger, do Temperley, como referências. Na Polônia, o campo do Legia Varsóvia. Em Portugal, o Alvalade, estádio do Sporting, repleto, é realmente um ambiente fantástico.

La Bombonera

La Bombonera

No Brasil, inúmeras torcidas se fazem valer de local, como a do Corinthians, Ponte Preta e Atlético Mineiro. A do Bahia está em primeiro em vibração desde o hino do clube. A reportagem não deixa claro quais são os fatores considerados para considerar o estádio “hostil”. Se levássemos em conta a informação que o repórter utilizou, o Hillsborough (onde morreram 96 torcedores do Liverpool em 1989) e o Heysel (Bélgica, final da Liga dos Campeões da Europa de 1985) poderiam ser considerados também. Não foram.

Estudar o ambiente e universo das torcidas é bastante interessante, desde que elas unicamente cumpram o papel de torcer pela equipe. A seguir um anúncio de TV na Argentina que promove as partidas da 2ª Divisão local. E não deixe de responder a enquete abaixo do vídeo!

Divisórias

No fim-de-semana que passou o estado do Pará realizou Plebiscito a fim dividirem ou não o estado em 3 outros: um Pará (menos de 1/3 do território atual), Tapajós (Santarém) e Carajás (Marabá). Em termos de esportes, a questão não seria afetada: em mais de 100 anos de história, só em 2011 um clube de fora de Belém (o Independente de Marabá) levou o estadual.

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

No entanto e pensando em outros lugares, se algumas divisões e separações acontecessem, poderiam ser sócio-economicamente viáveis. No entanto não em termos esportivos, sobretudo de alto-rendimento. Vamos imaginar amanhã que Catalunha e País Basco conseguem a independência. Vislumbrem portanto uma nova configuração geográfica da Liga Espanhola sem Barcelona, Espanyol, Real Sociedad, Osasuna e Athletic de Bilbao, ao levarem consigo milhões de consumidores. Pobre. A Liga Espanhola empobreceria em nível técnico e econômico. Não haveria, portanto, nem Real-Barça como houve sábado passado.

O esporte dos Bálcãs perdeu em competitividade com o fim da Iugoslávia. Dínamo Zagreb, Partizan e Estrela Vermelha não jogam o mesmo campeonato, salvo em torneios europeus.

Por outro lado, os casos de integração são pouco comuns. Caso das duas Alemanhas, quando em 1992 uniram seus campeonatos esportivos. Em pouquíssimas modalidades observamos instituições esportivas do leste (Alemanha Oriental) na principal divisão. Situação diferente poderia ser encontrada com – imaginemos – Celtic e Rangers disputando a Barclays Premier League da Inglaterra, assim como o galês Swansea faz.

Exemplos de sucesso são as ligas profissionais norte-americanas. Já não é possível pensar nos campeonatos de hóquei-no-gelo e beisebol com as franquias separadas pelos países. O chamariz de muitos jogos baseia-se na rivalidade entre os EUA e Canadá. Agora o “soccer” entra na onda, com o anúncio da entrada de Montréal na MLS.

Dividir custa caro. Além do peso político e econômico, há o peso social. Se as separações mesmo acontecem (como nos casos da Espanha e dos EUA), o motivo da graça – o sentido do confronto, da polêmica, da oposição – é perdido também. Em termos esportivos!

Renda Extra

Finalmente deram um passo a fim de internacionalizarem o esporte brasileiro. Essa manobra envolve o futebol. Foi sugerida para 2012 uma pausa no campeonato nacional para os clubes poderem fazer digressões ao estrangeiro e arrumar uma renda extra com as partidas através da bilheteria e publicidade. Esse exemplo é bastante seguido pelos clubes europeus, que costumam viajar para a Ásia e a América do Norte.

Nos meses de Julho e Agosto de 2011 o Manchester United realizou 5 amistosos nos EUA. Cada jogo rendeu aproximadamente R$3,6 milhões.  O tour realizado pelo Real Madrid no mesmo período atraiu quase R$20 milhões à instituição. O Barcelona acumulou R$7 milhões em duas partidas na América do Norte. Existem tipos diferentes de digressão. O primeiro tipo é de cunho exclusivamente comercial, sem levar em conta uma comunidade específica, característica do segundo tipo. Casos desse segundo tipo incluem o Benfica – que faz muitos jogos em Boston e Toronto, onde há expressivas comunidades portuguesas – e o Chivas na Califórnia e Sudoeste dos EUA, lugares onde mexicanos e descendentes são numerosos.

É portanto isso que querem fazer com o futebol no Brasil. Excelente proposta. No entanto, são pouquíssimos clubes/marcas com potencial de retorno no exterior. Por exemplo: o Coritiba não tem a mesma expressão que possui o Flamengo. Entretanto, se o Coritiba souber trabalhar sua imagem no exterior (especificamente no Japão) ao se vincular com o ex-jogador japonês Kazu (que atuou no clube paranaense nos anos 80), a marca Coritiba pode se tornar mais forte naquele país.

Diferente do Comercial, de Ribeirão Preto, que excursionou ao Leste Europeu no meio deste ano. Eles certamente não foram lá para divulgar a marca, afinal, o público romeno devia desconhecer o clube antes do(s) amistoso(s). Só que esse posicionamento da marca naquele mercado – o que realmente aconteceu – foi consequência da excursão. O objetivo principal da digressão comercialina foi a venda de jogadores. Atualmente, clubes com dinheiro e interesse em comprar jogadores brasileiros de menor expressão, no entanto altamente competitivos para as ligas locais, estão no leste europeu.

É hora de conquistar novos mercados. Novos mercados, mais rendimentos, mais contributo para a profissionalização da gestão do esporte no Brasil.

Do Equador, com Eficiência

Se perguntássemos às pessoas sobre o que elas conhecem ou sabem sobre o Equador, é bem provável que saibam muito pouco. No entanto, se essa pergunta fosse feita àqueles que acompanham o esporte e especificamente o futebol, possivelmente diriam: “É o país da LDU”.

A LDU (Liga Deportiva Universitária), equipe profissional da capital, Quito, venceu a Santander Libertadores em 2008, a Nissan Sul-Americana em 2009 e é finalista em 2011. O esporte e o futebol do Equador nunca foram referência. Na última década conseguiram ir a dois mundiais (2002 e 2006), mas nada que desfizesse uma imagem de azarão na América do Sul. Nas questões políticas e econômicas, o país e extremamente instável, o que contribui para um baixo investimento externo e crescimento econômico, ao forçar centenas de milhares de equatorianos a imigrarem para os Estados Unidos e Espanha, principalmente.

Essa equipe de futebol mostra através da TV, um Equador eficiente, competitivo, detalhista e objetivo. O público em geral fica com boas impressões do futebol daquele país, mas sobretudo, do Equador. Entretanto sabemos que não acontece nada disso. Assim como Franco fez com o Real Madrid nos anos 1950, Rafael Correa (presidente do Equador) pode fazer o mesmo com a LDU hoje.

Novos Mercados

A “Major League Soccer”  (MLS) já é liga esportiva consolidada nos Estados Unidos. Recentemente obteve maior projeção internacional com a ida de grandes ídolos do futebol mundial, como Henry (NY Red Bulls) e Beckham (LA Galaxy). Obviamente eles, principalmente o inglês, chamaram a atenção do mundo para o “soccer”. São grandes atletas, referências, e a mídia acompanha a trajetória deles.

Este é o jeito de trabalho de Don Garber, antigo executivo da NFL (Liga de Futebol Americano) que fora contratado pela MLS justamente para fazê-la crescer. Em uma década e meia, a liga acumulou muitos prejuízos. Com a chegada de Garber, Beckham, dentre outros (Keane, Rafa Márquez, Blanco), o lucro. Para que isso acontecesse, abriram-se exceções no pagamento de salários (há um teto salarial nas ligas esportivas profissionais norte-americanas), o que permitiu a vinda de atletas como os citados.

Mais do que nunca, a MLS é prova de que a conquista de novos mercados é feita através de grandes referências do esporte. Isso levou a maior interesse mundial pelos jogos desta liga. Mais interesse significa mais venda dos direitos de transmissão. Por aqui, o caminho pode ser o mesmo. Atrair de volta grandes futebolistas que atuavam pela Europa, Japão e Oriente Médio, poderá tornar o Campeonato Brasileiro de futebol mais internacional. O voleibol já fez isso. Em meados dos anos 90 a vinda dos grandes jogadores, campeões Olímpicos de 1992 culminou na criação da SuperLiga, hoje referência mundial.

É mais do que hora de conquistar novos mercados e tornar o esporte profissional brasileiro mais internacional.

Um Fica, Dez Vão

“Se for para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!” (S.M.I. Dom Pedro I, aos 9-01-1822, o “Dia do Fico”)

Tivemos recentemente outro dia do Fico, quando Neymar anunciou sua permanência no futebol brasileiro, até 2014. Muito bem pensada decisão, tanto do lado do atleta, quando da instituição esportiva, no caso o Santos. É um futebolista fundamental para atrair novos torcedores. E torcedores são consumidores. Há quem festeja a sua decisão em ficar no Brasil, que é a vez do futebol no Brasil contra os europeus sempre exploradores e corruptores que tiram grandes esportistas daqui para lá levarem e, deles, fazerem fortunas.

Lamento informá-los de que continuarão fazendo isso bastante. Neymar é apenas exceção e não representa o cenário do esporte no Brasil. A atividade de empresários e agentes continua e jogadores não tão midiáticos e prodigiosos como o atleta santista continuam sendo transferidos para os mais diversos mercados. Não adianta pensar e comemorar que o futebol brasileiro vive um bom momento. A grande maioria dos futebolistas profissionais do Brasil não ganham o que ganham atletas da primeira divisão. Na primeira chance que tiverem de ganharem mais, e fora do país (em terra de cego, caolho é rei), irão.

E isso irá acontecer até o dia em que o dólar e o euro valerem menos que o real. Difícil.

O Imperialismo no Esporte

O futebol americano é instrumento da política externa norte-americana. Ao menos ameniza a relação dos EUA com o mundo, uma vez que o esporte é capaz de aproximar nações (semelhantes ou não) através de um impulso comum e coletivo, que, neste caso, é a modalidade. Atualmente dizemos que se o esporte, o clube ou o atleta ultrapassa fronteiras, dizemos que está em busca de mercado consumidor. E é verdade.

Estádio de críquete na Índia

Estádio de críquete na Índia

Não estou a falar mal do futebol americano. Voltaremos no tempo. Foi assim com o futebol, foi assim com o rúgbi, foi assim com a proibição da Pelota Basca (quando dos primeiros anos do Governo Franco na Espanha), foi assim com as modalidades da Grécia e da Roma antiga. Os japoneses implementaram tão bem o judô na península coreana, durante a sua ocupação, que a Coreia do Sul é uma das maiores nações daquele esporte. Assim é o Brasil com o futebol. Assim é Austrália e Nova Zelândia com o rúgbi e a Índia com o críquete.

Dentre as modalidades britânicas (rúgbi, futebol e críquete), existem várias explicações sobre o porquê de elas terem encontrado seu reduto em lugares diferentes (o futebol deu-se mais na América do Sul, o críquete na Ásia e o rúgbi na África e Oceania).

Discutir estes fatores não vem ao caso agora. No entanto, se não fosse o imperialismo/globalização, não teríamos nem um pouco do espetáculo e da indústria do entretenimento que é o esporte nos últimos 100 anos.

“Boom”

Uma das metas de governo do recém-eleito presidente da Guatemala, Otto Pérez, é levar o país para uma Copa do Mundo de futebol. Em termos de política e projeção internacional, justifica-se a meta. Até mesmo o período do mundial FIFA pode significar um aumento temporário do nível de emprego, haja vista a confecção de produtos com as cores nacionais da Guatemala e da quantidade de pessoas que serão necessárias em bares e restaurantes para servir à mesa. No entanto, tudo isso é muito temporário e, a longo prazo, tal meta não traria grandes resultados.

Longo prazo. Este termo é fundamental. Pela crise econômica da Europa se entende o “boom” dos negócios no futebol brasileiro. Repito, é um “boom”. Como todo “boom”, a poeira abaixa depois de um tempo. Por isso é preciso ter cuidado e para um crescimento ser sólido e constante, é necessário, planejamento. O Santos argumentou bem a manutenção de Neymar no plantel: o crescimento do número de torcedores. Número de torcedores = consumidores. Flamengo e Corinthians querem ser os maiores do mundo. E pode. As equipes europeias, cujas projeções são muito maiores, não tem o mesmo número de torcedores que eles. Para a projeção ser maior, basta tratar o esporte com mais profissionalismo. Já é bem profissional “dentro de campo”, setor em que os resultados saltam mais aos olhos. É preciso ser profissional também nos bastidores.
No Brasil tal fenômeno não é exclusivo do futebol. Outras modalidades passam pelo mesmo processo. Os Jogos Olímpicos constituem um fator para. Como todo “boom”, a poeira abaixa e um cenário de crise poderá vir. Quando – e se – vier, é preciso estar preparado para não se arrepender do que não foi feito.

O bom momento – não é o melhor – do esporte no Brasil não se explica somente pela crise em outros lugares do mundo. É sobretudo um aviso de uma chance para mudarmos em definitivo os rumos do esporte no país e projetá-lo internacionalmente pelos bons exemplos.

À Mexicana #2

Loja do América à saída do Azteca

Loja do América à saída do Azteca

É impressionante o profissionalismo no esporte mexicano, sobretudo no futebol. Eu tinha uma visão equivocada, de que tudo era uma influência dos EUA, em função proximidade entre os dois países. Tive a oportunidade de conhecer algumas instituições e algumas pessoas ligadas ao esporte no País e elas me mostraram o contrário.

Os clubes são clubes, como no Brasil. Existem algumas franquias, semelhantes ao atual Americana e ao Boa Esporte. Mesmo os clubes, o objetivo é o lucro. Por isso eles trabalham muito bem suas marcas, e transformam-nas em produtos. O América é propriedade do dono da Televisa (canal de TV). O dono da Televisa também tem o Estádio Azteca. Por ter recebido 2 mundiais FIFA e os dois melhores jogadores do mundo terem sido campeões lá (Pelé e Maradona), o lugar se torna referência e essa história faz dele, um produto. Fatores que transformam uma organização esportiva em produto: história, relacionamento com o torcedor, valores e, no caso de um estádio, o aspecto visual.

Túnel de acesso ao campo pelos jogadores do América

Túnel de acesso ao campo pelos jogadores do América

A fim de maiores rendimentos e profissionalismo, a Federação Mexicana não impede que o dono de um meio de comunicação também tenha um clube. Nesses casos, os negócios são bem distintos: clube é clube e canal de TV é canal de TV. Cada um deles tem o seu público-alvo. A TV, por exemplo, não pode ignorar os 35 milhões de torcedores do Chivas Guadalajara, clube rival ao América. Caso contrário, perde uma grande audiência, boa fatia do mercado mexicano.

Entretanto nem todos os clubes possuem donos com grande capacidade de investimento. Nesses casos, é permitido à instituição mudar de cidade ou mesmo encerrar as atividades. Acontece no México uma mistura de um sistema europeu e sul-americano, com o das franquias norte-americanas, juntamente com seu profissionalismo. É bom ver que as instituições esportivas aqui no México (e repito, sobretudo no futebol) trabalham muito com estagiários e possuem plano de carreira para eles.

Exemplo desse profissionalismo no futebol mexicano é o Pachuca. No início dos anos 2000, era apenas um clube pequeno que subia de divisão. Quando isso aconteceu, os dirigentes foram procurados por um canal de TV que oferecia uma pequena quantia de dinheiro para transmitir suas partidas. O presidente do clube, sabendo que não podia se dar ao luxo de barganhar por mais, aceitou. Os jogos do Pachuca seriam transmitidos pela TV e, com isso, o clube podia buscar mais patrocínios, uma vez que haveria maior exposição das suas marcas na televisão. Com isso, aumentaram os patrocínios e os rendimentos do clube, que pôde investir no plantel e torná-lo mais competitivo. Feito isso, os resultados no campo melhoraram, chamando mais atenção da torcida, da mídia e de mais empresas interessadas em investir no clube. Aliado ao profissionalismo de seu quadro organizacional, a instituição criou uma universidade de ciências do esporte e futebol, que abastece o mercado esportivo mexicano.

Um exemplo de País cuja sociedade é muito semelhante com a nossa e a realidade, não muito distinta.

Pena que isso, no México, acontece apenas no futebol e em menor intensidade, no beisebol, mais popular no norte, próximo à fronteira com os EUA. A diferença principal é que os clubes têm proprietários, que estão interessados, além do resultado desportivo, no resultado financeiro. Esses proprietários são movidos pela paixão, certamente, mas mais ainda pelo bolso.

No Brasil, vocês todos sabem, não é bem assim.

À Mexicana

Aproveitei o México também para ir assistir a uma partida do campeonato mexicano. Era o clássico local (“Tapatío”), entre Atlas e Guadalajara (Chivas), no Jalisco, estádio onde o Brasil jogou os Mundiais FIFA 1970 e 1986. Um grande sonho estar lá.

Apesar de o Atlas amargar a última posição e o Chivas ser o super líder, já dizia Mário Jardel (1973 – ): “clássico é clássico e vice-versa”, por isso diziam tanto que seria difícil conseguir ingressos. Mas não foi assim.

Fui a um guichê do “ticketmaster” um dia antes do jogo e comprei meu ingresso. O mais barato, anel superior, 220 pesos mexicanos, aproximadamente 18 reais. Peguei um ônibus, lotado, mas nem tanto, e em 10 minutos estava no estádio Jalisco. Nota: as torcidas viajam no ônibus juntas, independente da equipe por que torcem.

Não encontrei nenhum policial, nenhum assistente de estádio e não vi nenhuma placa para indicar os portões. Acabei perguntando a uma equipe de TV onde eu devia entrar, e logo fui atendido. Tudo é como no Brasil: cerveja, churrasquinho e doces. Mas em outra coisa eles são diferentes: a cada canto há um quiosque que vende os artigos oficiais do clube. O Jalisco, apesar de velho, é de muito fácil acesso. Da entrada até o meu assento, não demorei 5 minutos. O campo de jogo é uma área fantástica para promover a sua marca, como se vê na foto. O locutor também promove o futebol como produto, e o público, muito educado por sinal, interage. Nas bancadas, torcedores de Chivas e Atlas, juntos, um ao lado do outro. Isso me deixou perplexo. Gol do Chivas, comemoram uns. Gol do Atlas, comemoram outros. Sem provocações ou xingamentos. Todos têm direito para que equipe torcer.

A saída do estádio foi tranquila e, para voltar, o ônibus veio mais cheio que na ida, mas nada sufocante. As torcidas saem juntas, sem complicações. Ao redor do Jalisco, mais quiosques oficiais, mais pessoas consumindo. Todas muito educadas, tratando tudo e todos com muito respeito. Não vejo isso no Brasil. O exemplo mexicano é de torcer com paixão, mas em harmonia. E fazendo do esporte (neste caso o futebol), um produto.

E para quem quiser saber o placar final, foi 1 a 1. E um dos sonhos, realizado.


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