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¿Cachay?*

Vos escrevo de longe. Mas não deixo de acompanhar o desporto tupiniquim. Não sou palestrino, mas fiquei contente com a conquista do Paulista pelo Palmeiras. Mais contente ainda pela figura-mór do Parque Antarctica: Valdivia. O chileno é o “cara”! Representante digno do futebol sul-americano, alguém que faltava para quebrar a tendência truculenta do balípodo brasileiro. Valdivia promove o futebol como deve ser jogado, com alegria e para o gol.

“El Mago” Valdivia, pelo clube atual, o Palmeiras

Não gostaria de jogar contra ele, que deve ser muito chato. Imaginem o que ele deve falar para os marcadores! O que ele provoca, o que ele catimba! Imaginem o quanto ele deve ser chato! Potenciem isso pelo fato de ele ser chileno – que no Brasil tem fama de catimbeiro – e multipliquem por ele jogar no Palmeiras! Valdivia foi a alma palestrina neste torneio e para o Brasileiro promete. O que vai ter de marcador sendo expulso por cair em suas palavras, seus gestos e encenações. Isso tudo não vai caber em súmula alguma.

Don Elias Figueroa, pelo Inter: outro chileno de sucesso no futebol do Brasil

E para o futebol chileno, o que isso significa? Uma renovação depois daquela geração de 1998 (Salas, Tapia, Zamorano). Uma esperança para se qualificarem para a Copa de 2010. Se conseguirem tal feito, não há dúvidas de que o chileno do Palmeiras será o motor desta seleção, aliado aos jovens que conseguiram chegar às semi-finais do último mundial sub-20. Em boa hora, porque um país que já foi 3º lugar na Copa de 62 e que teve jogadores como Figueroa, Leonel Sánchez e Caszely merece estar sempre despontando no futebol mundial.

Caszely pelo Colo-Colo: “peitou” Pinochet em não querer jogar a Copa de 74

Valdivia vem honrando “la roja” pela América do Sul. E quiçá pelo mundo.

¿Cachay?

* – “entendeu?” (em chileno)

 

Os Devotos

Já dizia Eduardo Galeano que jogar sem torcida é como dançar sem música. Com razão. Às centenas, aos milhares eles enchem as bancadas e dão vida, cor e voz ao espetáculo. Há quem prefira ficar nos camarotes, sentado, confortável. Ha quem queira ficar em pé, gastando toda a saliva a cantar e berrar por amor e devoção ao clube. Abaixo, o “Ultras Tito Cucchiaroni” da Sampdoria, de Gênova:

ultrastito

Existem maneiras de torcer. No Reino Unido, os mais devotos juntam-se atrás dos gols (as “Kops”), onde os preços são mais em conta e por isso vêm de camadas sociais mais humildes. São os mais carnavalescos: cantam, gesticulam, berram, aplaudem e vaiam. Sempre em pé, cada família, cada bairro e cada localidade com a sua bandeira. Foram das Kops que muitos dos hooligans surgiram, infelizmente. Completamente diferente dos devotos que compram seus lugares à frente do campo. Abaixo, a ‘Kop’ do Liverpool:

kop

Na Europa do Mediterrâneo os mais carnavalescos são identificados como sendo parte do movimento “Ultra”: promovem grandes coreografias, cantos e são pró-ativos em cobrar algo da direção do clube. Podemos citar a Torcida Verde do Sporting (Portugal), os Ultras Tito Cucchiaroni (Sampdoria, Itália) e o Commando Ultra’84 (Marselha, França). Os ultras são as torcidas organizadas do Brasil, e as barras bravas da Argentina, que nasceram no contexto do regime militar em ambos os países, em que o agrupamento de pessoas em torno do futebol não era mal visto pelos governantes. Surgiram nesta época os Gaviões da Fiel (Corinthians) e a Torcida Jovem (Botafogo). Era durante o governo do General Videla que surgia a “La 12” do Boca Juniors, e no Chile os “Los de Abajo” marcavam presença no estádio Nacional nos primeiros anos do regime de Pinochet. Em seguida, foto dos ‘Bukaneros’ do  Rayo Vallecano (Vallecas/ESP):

rayo

Como dizia um antigo dirigente do Atlético de Madrid: “O futebol é bom para que as pessoas não pensem em coisas ruins”. Quais coisas ruins? No contexto em que foi proferida esta frase, as coisas ruins eram conspirar contra o governo ou organizar greves. Hoje em dia estes grupos supracitados pensam coisas ruins e agem de maneira ruim. Quando pensamos em torcidas organizadas, Ultras e afins, relacionamos à violência, infelizmente. Muitos dos objetivos e princípios das organizadas e dos ultras vêm se perdendo ao longo do tempo. Além da intervenção do governo, é preciso que os próprios grupos repensem e revejam isso. Só o esporte, só o futebol será prejudicado porque à medida em que a violência aumenta, o torcedor deixará de freqüentar os estádios. Resultado: milhares de empregos diretos e indiretos que não são criados e milhões em dinheiro que deixariam de circular, porque o espetáculo já não interessa mais a ninguém. Não deixemos isso acontecer.

Abaixo, ‘La Guardia Imperial’, do Racing Club (Avellaneda, GCBA, Argentina)

LA GUARDIA IMPERIAL

Páginas de Esporte

Neste texto daremos um giro pelo mundo e conhecer um pouco sobre os jornais que tratam unicamente do esporte. Apesar de no Brasil não ser tão famoso, alguns periódicos desportivos são os diários mais lidos em certos lugares. Até há pouco tempo, a “Gazeta Esportiva” era a única, atualmente disponível apenas na edição online. O “Lance!” nasceu em 1997, com um novo conceito de formato e leitura, o que cativou o público e mantém um constante crescimento. Vejamos em outros países.

Logo do “Lance!”

Na França, o “L’Equipe” é um dos jornais mais lidos e um dos mais completos em termos de modalidades. Falam sobre futebol, basquete, natação, ginástica, Rugby e até xadrez! Na Itália existe o rosado “Gazzetta dello Sport”, com suas páginas em cor-de-rosa, isso porque durante a II Grande Guerra o papel dessa cor veio ser uma alternativa barata ao papel branco, mais caro. A aceitação entre os italianos foi boa e a mudança é mantida até hoje.

A “Gazzetta” e suas páginas em cor-de-rosa

Na Espanha, o “Marca” foi criado por Franco, na década de 30, para divulgar os clubes madrilenhos e com isso fortalecer a unidade nacional a partir de Madri. E isso acontece até hoje. Mais tarde, “El Mundo Deportivo” e “Sport”, diários catalães, surgiram para dar maior cobertura a outros clubes, como o Barcelona e o Espanyol. Em Portugal, “A Bola” é o diário mais lido entre os lusos. O mais lido, independentemente da abordagem do jornal! Porém, este é o mais benfiquista dentre os três, já que há também o “Récord” e “O Jogo”, sendo este último mais nortenho do que lisboeta.

“A Bola”: o jornal mais lido em Portugal

Vamos cruzar o Atlântico rumo à América do Sul. Poderia citar o “Tercer Tiempo”, de Santiago do Chile. O “Ovación”, de Montevidéu. Mas nada incomparável com o “Olé”, de Buenos Aires. Sim, senhores. Aquele jornal que vive tirando sarro do Brasil, que contrata jovens jornalistas, recém-formados, com aquela rivalidade à flor-da-pele para escrever poucas e boas do futebol tupiniquim!Mas cá entre nós: é uma rivalidade sadia e engraçada!

O “Olé” depois da última Copa América (3 a 0 Brasil sobre a Argentina)*

Experimentem e acessem as páginas desses jornais que foram citados. Vale muito a pena observar como cada país vê o esporte (principalmente o futebol). Nota-se claramente que a maneira como vemos o jogo é muito mais parecida com a dos nossos hermanos do que com a dos europeus! Bem, boa leitura a todos!

*Q.E.P.D.: Que en Paz Descanse

As Olimpíadas e o Tibete

Com as manifestações pela independência do Tibete e ações de tibetanos contra o percurso da tocha Olímpica pelo mundo, os palpiteiros de plantão dizem que os Jogos Olímpicos não podem ser palco de manifestações políticas. Ora, porque não dizem também para os atletas deixarem de representar seus respectivos países e que não sejam mais tocados os hinos durante as premiações! Isso já é uma manifestação política! Que diga Cuba, que diga a Coréia do Norte ou os países que recém conquistaram a independência.

Misha, mascote dos Jogos de Moscou’80: o esporte para a promoção do regime político da ex-URSS

Um boicote sim, seria uma atitude contra os ideais Olímpicos, mas isso não impede de os atletas poderem se manifestar politicamente dentro da competição. De acordo com Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, o atleta deve competir pela honra da sua pátria. Assim sendo, como se impede de, por exemplo um competidor sérvio, nos próximos Jogos de Pequim, manifestar pela reanexação da província do Kosovo? Afinal, é a pátria que está em causa. Ele, como pessoa pública em seu país, se tiver a consciência disso, não vai deixar passar em branco, assim como o gesto “Black Power” dos atletas estadunidenses nos Jogos do México, em 1968.

Tommie Smith e John Carlos protestam pelos direitos civis nos EUA durante os Jogos de 1968

As Olimpíadas são o maior evento do mundo! Daí uns acrescentam: “esportivo”! Que interessa se é esportivo ou não? O esporte não é apenas lúdico. Este blog mostra claramente isso nos demais artigos. Mais uma vez: as Olimpíadas são o maior evento do mundo, capaz de reunir mais países do que a própria Organização das Nações Unidas. Um evento em que todos estão de igual para igual na condição de atletas (claro que uns mais preparados que outros), independentemente de possuírem armas nucleares e afins. Portanto, não há melhor lugar e evento para os Tibetanos protestarem pela sua independência! Os Jogos Olímpicos chamam a atenção do mundo e é uma oportunidade para o Tibete se mostrar ao planeta e divulgar a – segundo eles – hostil ocupação chinesa desde 1959.

Torcedores sérvios protestam pela reanexação da província do Kosovo, recém-independente

Não há como separar esporte e política. O meio esportivo sempre será palco de manifestações como as vistas ultimamente. Vide a Guerra Fria e a recusa dos países africanos aos jogos de Montréal. Como escrito acima: o que não pode haver é um boicote. E não haverá, porque hoje em dia existem contratos a serem cumpridos e compromissos de bilhões de dólares assumidos. É muita ingenuidade pronunciar que esporte e política não podem se misturar.

 

 

Nações Divididas

Já imaginou o Brasil do Norte enfrentando o Brasil do Sul? Ou a Argentina do Leste contra a do Oeste? Você, atleta, jogando contra aquele seu primo que por um acaso mora do outro lado da fronteira? Isso existe, mas não com esses países. São nações divididas, um só povo, uma só língua, separadas por vaidades históricas e que acabam por transferir este choque para o esporte.

Soldado sul-coreano vigia fronteira sob o olhar do “colega” do norte

A Guerra da Coréia (1950-1953) a separou em duas: a do Norte (República Democrática Popular da Coréia) aproximou-se da antiga União Soviética e seguiu um modelo socialista baseado em um regime ditatorial. Hoje em dia é a nação mais fechada do planeta, em grave crise sócio-econômica e constante decadência. A do Sul ficou sob influência dos Estados Unidos e adotou a economia de mercado. Atualmente o seu contexto é oposto ao vizinho do Norte. Recentemente as duas seleções de futebol destes países jogaram entre si, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Como o ditador norte-coreano não permitiu o hasteamento da bandeira e a execução do hino sul-coreano em seu território, o jogo teve que ser na China. Este foi o primeiro ato de truculência. O segundo foi que as torcidas tiveram que ser divididas, assim como os países e, no lado de fora, os norte-coreanos evitavam o contato com os do sul.

Sul-coreanos durante a Copa de 2002

Por não falar da Copa de 74, quando as então Alemanhas (Ocidental e Oriental) se enfrentaram, em Hamburgo, no lado Ocidental. Era o primeiro encontro oficial entre as duas seleções, e os Orientais venceram por 1 a 0. Simbolicamente, para o regime da socialista Alemanha Oriental, significava o triunfo do socialismo sobre o capitalismo. “Não tenho culpa de ter nascido na Alemanha Oriental“, dizia Jürgen Sparwasser, autor do único gol desse jogo. Quinze anos mais tarde, com a queda do muro de Berlim, o futebol colocaria a “cereja do bolo” na reunificação alemã com a conquista da Copa do Mundo de 1990, mesmo sendo apenas com jogadores ocidentais.

 

1974 FIFA World Cup, West-Germany - East-Germany

Alemanha x Alemanha, na Copa de 74

A partida entre as duas Coréias terminou politicamente correta, 0 a 0, e dentro do campo os jogadores demonstraram “fair-play” e muita diplomacia. É claro que os avanços são ainda tímidos. Neste ano, por exemplo, sul e norte-coreanos entrarão no estádio durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos sob uma mesma bandeira. O esporte só tem a ganhar quando esta truculência terminar. Imaginar em um futuro próximo equipes nacionais de uma Coréia unificada, de dois antigos países com excelentes retrospectos em diversas modalidades. No futebol, Pak-do-Ik – o dentista norte-coreano que fez o gol que eliminou a Itália do Mundial de 1966 – como técnico de um time com Ahn e Park (Sul-Coreanos)!

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Comemoração norte-coreana após a vitória sobre a Itália

Nada dura para sempre, assim como os dois Iêmens, os dois Vietnãs e as duas Alemanhas.

Agradecimento

Companheiros dos meus devaneios e disparates,

quero agradecê-los pelas 1000 visitas registradas hoje. Até este momento em que vos escrevo, este blog contabiliza 1014 visualizações. Tendo em conta que ele existe há 177 dias, são cerca de 5,73 acessos diários. Isso, para quem esperava pelo menos 1 por dia, está 473% acima do resultado previsto.

Obrigado!

As 3 Grandes

Tudo começou na década de 1930, quando os irmãos Dassler batiam de porta em porta nos quartos dos atletas a oferecer sapatos esportivos. Foram com eles que Jesse Owens conseguiu a medalha de ouro nos Jogos de 1936, em plena Berlim de Hitler. Com o final da II Grande Guerra, os Dassler brigaram e cada um foi para um lado: um dos irmãos criou a Puma. O outro, a adidas.

Adi Dassler, fundador da adidas

A amizade com o selecionador alemão na Copa de 1954 fez com que Adi Dassler (fundador da adidas), inventasse as chuteiras com travas de rosca, que possibilitavam a prática do futebol em todo o tipo de terreno e nas mais diversas condições climáticas. Capitaneados por Fritz Walter, todos os jogadores alemães, campeões mundiais daquela Copa, usavam adidas. Nas Olimpíadas de Melbourne, em 1956, o sucesso foi o mesmo com atletas de diversas modalidades. Até aí, o dinheiro não falava tão alto. Tudo resumia-se em oferecer um par de calçados.

Pelé com chuteiras Puma na Copa de 70

É nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, que a Puma entra “no jogo” e, além de oferecer sapatos, oferecia também dinheiro. Estava iniciada a guerra do sports marketing. No início apenas entre Puma e adidas. Quem não se lembra do Pelé amarrando as chuteiras antes das partidas da Copa de 70? E Beckenbauer na célebre foto com o braço enfaixado durante o jogo com a Itália, vestido de adidas?

Os planos das grandes marcas iam, certamente, para além das 4 linhas, no caso do futebol. Boa parte dos projetos de Havelange, depois de ter sido eleito presidente da FIFA, foram financiados com dinheiro da adidas, patrocinadora da entidade. Na última hora a empresa alemã, que apoiava Stanley Rous ao cargo máximo do futebol, passou a apoiar o brasileiro, que tinha os votos dos países americanos e africanos. Dizem que Horst Dassler (filho do fundador da adidas) dizia a Havelange: “ajude-me no meu negócio que eu ajudo no seu”.

O swoosh da Nike (encomendado por US$35,00) e seu famoso slogan

É nos anos 70 que a Nike entra em campo, primeiramente apenas com sapatos de corrida, copiados dos japoneses Tiger (Asics). É no fim dos anos 70 e início dos 80 que revolucionam o mercado do basquete com o Nike Air e seu garoto propaganda, Michael Jordan. Só nos anos 90 que os “Guys of Beaverton” (em alusão à Nike) investem maciçamente no desporto-rei, patrocinando seleções como a brasileira e italiana e, com o passar dos anos, se tornam a maior empresa de artigos esportivos do planeta.

Não há dúvidas de que hoje em dia estas marcas rendem grandes volumes de negócios, sejam eles em vendas, publicidade ou patrocínios. Existem também várias marcas no mercado além das supracitadas, mas as maiores cifras são da Puma, adidas e Nike. A tendência é continuar neste triângulo, visto a aquisição da Reebok pela adidas e da Umbro pela Nike e, se o “impossible is nothing” ou o “just do it” não terem cuidado, a Puma – que aposta nos mercados emergentes – pode tomar a liderança em um futuro não tão distante. Que a briga seja à vontade, desde que o esporte seja preservado.

Brasil vs. Espanha

Já se sabe que Londres será a sede dos Jogos Olímpicos de 2012, depois de uma disputa com Paris na última rodada de votos, estabalecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Entretanto estas duas capitais não foram as que obtiveram as maiores notas naquilo que é avaliado: infra-estrutura, instalações esportivas e legado, por exemplo. As maiores notas foram obtidas pela capital espanhola, Madrid, que passou para a penúltima rodada de votação, mas mesmo sendo a melhor avaliada, não obteve tantos votos quanto às capitais francesa e inglesa, que seguiram adiante na disputa.

Logo da candidatura de Madrid aos jogos de 2016

Para 2016 Madrid já lançou a sua candidatura, mais amadurecida. Não houve grandes transformações estruturais ou no que diz respeito a estádios e pavilhões mulidesportivos. O diferencial desta candidatura está na criação de um departamento de Relações Internacionais (RI), que leve Madrid para todos os países membros do COI e a torne conhecida. Em outras palavras, o departamento de RI agirá como se fosse o corpo diplomático de um Estado. Tudo isso para conquistar os votos necessários para sediar os jogos. Não basta ter apenas boas notas.

Londres será a sede dos Jogos Olímpicos de Verão em 2012

Acreditam os espanhóis que a sua capital é a grande favorita, ao lado de Tóquio (Japão) e Chicago (EUA). Crêem também que, como neste ano Pequim, centro da cultura chinesa e da língua mais falada no mundo (mandarim), receberá as Olimpíadas e Londres – centro da cultura anglo-saxã e da segunda língua mais falada no planeta – será a sede em 2012, ficará a cargo de Madrid continuar esta tendência: pólo da cultura hispânica e do 3º idioma mais falado no mundo.

O problema deles é o Rio de Janeiro. Apesar de registrar um colapso urbano, a cidade brasileira tem um bom historial de grandes eventos esportivos e roubaria de Madrid os votos dos países Latino-Americanos. É por este motivo que a grande rival dos espanhóis será o Rio. Todos querem receber os Jogos Olímpicos, não convém aqui relacionar os benefícios de ser uma sede (isso será feito nos próximos textos). Só a candidatura já promove mundialmente a cidade.

Logo do Rio de Janeiro para receber as Olimpíadas de 2016

Tudo isso é mais uma prova de que o esporte e as Relações Internacionais caminham juntos. É possível promovê-las através do esporte e vice-versa. Será uma briga acirrada entre as duas cidades. Uma grande oportunidade para o Rio de Janeiro mudar. Uma chance para Madrid sair da sombra dos seus clubes de futebol e tornar-se conhecida no mundo. É esperar – e trabalhar mais – para ver!

Um Gigante Adormecido

Custa lembrar, mas a última das 4 medalhas Olímpicas obtidas pela Índia foi a de Leander Paes, no tênis, de bronze, em 1996. Em mais de 100 anos de Jogos, 60 de independência e com mais de 1 bilhão de habitantes, a Índia é um dos países com menor índice de medalhas Olímpicas por pessoa, senão o menor.

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Leander Paes, tenista indiano, medalhista Olímpico em 1996

Ao longo dos anos, o esporte evoluiu em termos de prática, condições e rendimento. A Índia, esportivamente, não, com exceção de uma modalidade: o críquete – ao longo do texto explicar-se-á o porquê disso. O hóquei na grama indiano, antes campeoníssimo, não acompanhou as significativas mudanças como por exemplo o uso de uma relva específica que tornava o jogo mais rápido e por isso demandava jogadores mais ágeis. Por ter sido uma colônia britânica, muitos devem questionar o porquê de o futebol ou o Rugby não terem sucesso naquele país, e sim o críquete – o que é contraditório, uma vez que a população indiana possui relativamente menor poder aquisitivo do que populações de países em que o Rugby e o futebol são as principais modalidades.

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Jogo de Críquete

Pode-se explicar tal fenômeno a partir de o críquete ter sido usado pelos indianos como uma maneira de desafiar os britânicos durante os anos de ocupação, e com isso a sua popularização foi inevitável. O críquete está para a Índia assim como o futebol está para o Brasil, isso também em termos de conquistas desportivas e mediatismo. Além de contar com grandes empresas como a Arcelor-Mittal, a Kingfisher ou a TATA Motors (que idealizou o NanoCar), 80% dos investimentos no esporte indiano têm como destino este esporte cuja variante jogamos no Brasil, sob o nome de “taco” (bets, lesca ou bente altas), potencializado em um universo de mais de 1 bilhão de pessoas.

Mas isso tem mudado. Ao longo dos últimos anos Nova Délhi estabeleceu objetivos mais amplos e claros para o esporte nacional através de um projeto aprovado no início desta década. Dentro deste projeto está ser a sede dos Jogos Asiáticos e do Campeonato Asiático de Futebol, que estimulariam a prática de diversas modalidades. A Fórmula 1 este ano contará com uma equipe indiana, a Force India, e quer receber uma das provas do calendário a partir de 2010. Sem dúvida que conseguirão, haja visto as grandes empresas que lá existem e um mercado consumidor com mais de 300 milhões de milionários!

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A equipe Force India, de F1

Daqui alguns anos não se deve ser pego de surpresa se os indianos despontarem no mundo do esporte. Eles têm gente. Eles têm dinheiro.

PS: Assistam o filme “Lagaan” para terem uma idéia do poder do críquete na história da Índia.

Histórias e Previsões

É intrigante pensar no futuro do esporte moderno. Há duzentos anos não havia por exemplo o futebol e o handball, mas de lá pra cá surgiram no cotidiano e tornaram-se fenômenos sociais. Daqui a outros duzentos anos, pode ser que a Olimpíada seja virtual, com atletas projetados pelo computador, sem qualquer esforço físico e espírito esportivo. Se na antigüidade as modalidades eram, aos nossos olhos, tão sem graça e sem fim algum, mas acabaram por dar lugar ao esporte moderno, vislumbrar um futuro para ele torna-se muito difícil. Os esportes coletivos modernos, que conhecemos, tem aproximadamente entre 100 e 150 anos. Modalidades como o futebol, o Rugby, o basquete, o vôlei, o críquete e o hóquei foram criados na segunda metade do século XIX. Antes desta época praticava-se por exemplo, na Inglaterra, a caça à raposa, que era tida também como um esporte. Neste mesmo país jogava-se algo que daria origem ao futebol de hoje: o “folk football”, originário do “calcio” romano, em que populações inteiras de cidades diferentes lutavam fisicamente entre si para conduzirem uma bola até o pórtico de uma das localidades.

 

O “folk football”

Veio a revolução industrial e o surgimento de uma classe média na Inglaterra que podia manter seus filhos em uma escola. Escola que incentivava nos tempos livres a prática do “folk football” entre os seus alunos. Com um número reduzido de pessoas a jogar, cada colégio produzia o seu estilo de jogo. Uns davam preferência ao uso das mãos (como o colégio de Rugby) e outros, apenas o dos pés (como a escola de Eton). Uma reunião foi feita entre várias instituições inglesas de ensino em 1863, para padronizarem as regras do jogo. As poucas escolas que permitiam tanto o uso das mãos quanto o dos pés, se retiraram do encontro e instituíram o que conhecemos hoje por Rugby, que deve ser chamado de “Rugby Football”, ou seja, o futebol como é jogado em Rugby. Os demais colégios associaram-se em determinadas regras que originaram o “Football Association”, ou “soccer” (palavra originária de “asSOCiation), ou pura e simplesmente, o futebol.

A “Rugby School”, onde surgiu o Rugby Football

A magnitude da revolução industrial e o domínio britânico dos mares levou tais modalidades para o mundo todo. Cidades portuárias como Bilbao, Porto, Buenos Aires e Rio de Janeiro foram as primeiras a terem clubes criados para a prática do futebol, do Rugby e do críquete. A descolonização foi outro passo dado para que estas modalidades alcançassem a dimensão que possuem hoje: mais países no COI (Comitê Olímpico Internacional) e na FIFA (Federação Internacional de Football Association) do que propriamente na ONU (Organização das Nações Unidas).

Logo da Federação Internacional de Football Association (FIFA)

Vivencia-se hoje a revolução tecnológica, que se relaciona com o esporte. Algumas bolas de futebol vêm com chip; árbitros no Rugby a recorrer a imagens milimetricamente apuradas para tirarem suas dúvidas quanto a um lance difícil. Pela TV e internet, todas as informações desejadas sobre o esporte, estão disponíveis. Nas casas, mais e mais crianças jogam com os seus ídolos através do video-game. Nas casas das grandes cidades os pais mantêm, por segurança, seus filhos presos a este mesmo video-game, em detrimento à prática esportiva. Os campinhos dão lugar a imensos condomínios. As cidades – e o país – crescem sem planejamento, o que acaba por gerar delinqüência e violência, que são muitas vezes levadas para dentro dos estádios de futebol. Assim sendo, são capazes de afastar famílias inteiras do esporte.

Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas, 2004

Não, o esporte moderno que conhecemos hoje não vai acabar. Os mesmos organismos internacionais supracitados, como o COI e a FIFA (no caso do futebol) têm a missão de difundi-los e protegê-los. Muitos dizem que modalidades como o Rugby e o futebol são muito rígidos com as suas regras. Na verdade, a maioria das regras devem ser preservadas para que estes esportes estejam ao alcance de todos e que sejam jogados no mundo todo. Por isso que é certo que daqui a 200 anos uma Copa do Mundo terá a mesma emoção de sempre. 


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