Archive for the 'Sem-categoria' Category



Preto no Branco

É impressionante como a frequência dos casos de racismo no esporte aumentou. Consequência da crise econômica internacional, do individualismo, da competitividade, que conduzem à agressividade e intolerância. Esses são casos (como o de Dani Alves e o do dono dos Los Angeles Clippers) que conhecemos, que temos notícia, mas há muitos mais que sequer temos ideia. Não apenas contra afro-descendentes, mas por opção sexual, por religião, por etnia, por ser estrangeiro. E isso não é de hoje, é milenar. 

Não há solução em curto prazo para o problema, mas sim como minimizar. E esse tipo de educação, é a que vem de casa.

Rugby Clube a 100%

Olá pessoal. Este blogueiro possui um programa de rádio via internet sobre rugby. Todas as sextas, às 13h em http://www.radioestacaoweb.com.br

Em função do aumento da audiência, um dos objetivos de 2014 é adquirir um estúdio próprio para a programação ser de rugby as 24 horas!

Portanto, criei uma conta no vakinha.com.br, ou seja, participe da minha vaquinha! Mande sua mensagem aqui:

Direitos de Trabalho

Há de vir o dia em que um futebolista no Brasil não aceite atuar por um clube por ele não assegurar condições de trabalho. Oras, um clube de futebol de alto-rendimento é uma entidade empregadora como qualquer outra que estabeleça em contrato com um funcionário, condições adequadas para que ele execute o que é pago para fazer da melhor maneira possível. Segurança, inclusive.

Imagem

Oxalá este dia chegue bem logo. Refiro-me ao que aconteceu no fim-de-semana, no SC Corinthians Paulista, da conivência de gestores de entidades esportivas com agremiações de adeptos que promovem a violência e a desordem. No entanto isso não é ‘privilégio’ corinthiano, paulista e brasileiro. Em Portugal, líder da Juventude Leonina ao beijar presidente do Sporting Clube de Portugal (foto acima) retrata essa conivência. Se imagem vale mais que mil palavras, está mais que explicado.

Há de vir esse dia, do atleta de alto-rendimento conhecer e cobrar por boas condições de trabalho. É trabalhador como todos. Ganha mais porque o interesse comercial na profissão dele é muito alto.

Quanto mais interajo com o futebol, mais certeza tenho de que prefiro o rugby.

Final em Campo Neutro

A Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) estuda a possibilidade de realizar a final da Copa Bridgestone Libertadores em jogo único, em campo neutro, a exemplo da Liga dos Campeões da Europa.

Sede da CONMEBOL, em Assunção

Sede da CONMEBOL, em Assunção

Boa iniciativa, em parte. De um lado, ganha em competitividade (exclui o fator casa e aumenta a incerteza), praticidade, produto, reduz especulações e polêmicas, como sempre são marcadas as decisões de torneios como este. Por outro, caso a Confederação levasse a decisão para países como os EUA, México ou Venezuela (onde o futebol não atrai tanto as multidões como o beisebol), prestaria um desserviço ao futebol da América do Sul. Deslocamento de torcedores, fuso horário para a transmissão via satélite e concorrência com outros esportes, ou com o futebol local, não potencializariam a partida. No Cone Sul, deslocamento não é problema. Se fosse, os atleticanos não compareceriam em peso aos jogos fora de casa na Libertadores 2013; ou os corintianos não seriam 35 mil em Yokohama, em 2012.

Talvez realizar a final em jogo único agora não seja a solução. No entanto, a maneira atual não é a melhor. Por isso essa mudança é apenas questão de meses. Caso façam isso, que controlem-na restringindo as decisões para países onde o deslocamento é descomplicado e o fuso horário, aliviado.

Confederados

Brasil campeão da Copa das Confederações da FIFA, com uma partida final de encher os olhos. Muito foco, atitude, fibra e excelência na condução do jogo. Percebia-se isso desde o início, com o Hino Nacional. Sabiam desde sempre o que queriam. E queriam muito ganhar. Queríamos, porque a torcida fez muito a diferença.

brasilOxalá a postura dentro de campo seja transferida para fora dele. O Brasil quer ser grande e uma vitória esportiva não soluciona os problemas, não acaba com a corrupção, não erradica a fome. Entretanto pode servir de exemplo de como podemos exigir as coisas e de como devemos agir no dia-a-dia para construirmos um lugar melhor pra se viver: com atitude, respeito ao próximo, pró-atividade e ousadia em inovar e acabar fazendo melhor o que ninguém esperava que fosse acontecer. Talvez isso seja improvisar? Não. Muitos acreditam que improvisar é dar um jeito, e aí esse termo acaba por ficar pejorativo porque remete ao famigerado ‘jeitinho brasileiro’ de fazer tudo ‘nas coxas’, sem excelência, pró-atividade e respeito. Improvisar é também planejar, é ter mais opções à disposição para trabalhar.

Estamos cansados desse ‘jeitinho’. Não há espaço para isso entre os melhores do mundo, dentro e fora de campo. Parabéns, Confederados!

Renovação

Quando ouvimos, lemos ou falamos a palavra que dá título a este post, logo pensamos em um plantel de alto-rendimento. Como este espaço trata de outros temas relacionados ao esporte, a renovação aqui tratar-se-á de símbolos do esporte.

capQuando este blogueiro ganhou o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de futebol de 1991 – eu tinha 9 anos -, disse intrigado ao pai: “Pai, existem 2 Flamengos!”. Meu pai logo tomou o álbum e disse: “Não, este é o Atlético Paranaense”. Eu havia acabado de confundir o distintivo do rubro-negro paranaense com o do “clube mais querido do Brasil”, como vocês podem observar aqui ao lado. Hoje, o escudo da equipe do Paraná mudou e lembra muito mais o Clube Atlético Paranaense do que o Clube de Regatas do Flamengo.

E é esta a função de um símbolo. Representar uma instituição, seus valores, sua história, seu legado e inclusive o Everton0palmarés (através das estrelas). Ele deve ser de fácil lembrança e identificação e quanto mais limpo, em consequência menos visualmente poluído, melhor.

Nesse sentido, Everton, Roma e Paris St-Germain (PSG) repensaram seus escudos. Notem que o nome e o que dá identidade ao clube estão valorizados nas novas versões. No Everton, o nome e a torre. ‘Roma’ ocupou o lugar do ASR (Associazione Sportiva Roma). Quem olhava para o símbolo antigo do clube e não soubesse da história da loba e sequer fazia ideia da sigla abaixo do desenho, também não saberia identificá-lo enquanto entidade do esporte.

psgPara o PSG, a mesma coisa. A cidade de Paris é muito maior que o clube. Vincular-se mais ao nome desse município-alfa é projetar a cidade em nível mundial, o que conecta com os investimentos que têm sido feitos dentro de campo.

asromaNão tão radicais têm sido no Brasil o Cruzeiro, o Flamengo e o Corinthians. A equipe mineira consultou a torcida, que prefere as estrelas da constelação soltas na camisa, e não presas a uma circunferência. A torcida do clube carioca prefere a sigla ‘CRF’ fora do escudo, enquanto que os paulistas optaram por excluir as estrelas do símbolo e valorizar exclusivamente a âncora, o timão e os remos.

Essas mudanças se dão com a intenção de se comunicar melhor com o torcedor/consumidor. E quem não se comunica, se estrumbica!

Uma Grande Jogada

A grande jogada da última quarta-feira  (ontem, 30 de Janeiro de 2013) é valorizar a manifestação popular dos torcedores no futebol através da avalanche, quando os eles – no topo das arquibancadas da linha-de-fundo – correm para trás de uma das balizas, quando marcado um gol. Falar que isso é moda ou imitação estrangeira, é não conhecer sobre a cultura do esporte e de seus fãs.

Claro que na América do Sul isso é mais comum no Chile, Uruguai, Argentina. Na Europa, disseminada pelos ‘Commando 84’ do Olympique de Marselha; era entre os ‘Ultras Sur’ do Real Madrid e a ‘Frente Atletico’, do Atlético de Madrid. Em Portugal era feita, por exemplo, pelos integrantes dos ‘Panteras Negras’ do Boavista. Essas manifestações deixam o espetáculo mais bonito e apaixonado, entretanto perigoso. Após o rompimento das grades do novo estádio do Grêmio, ontem, durante uma ‘avalanche’, proibi-la não vai inibi-la. Que permitam fazê-la, mas com segurança. No jogo de Porto Alegre aquelas grades não iam suportar tanto peso.

A decisão de participar dessas manifestações – que são parte do espetáculo – é de cada torcedor. Se proíbem-nas, o próximo passo é não permitir os torcedores de saltarem. Já pensaram nisso? Que a segurança seja reforçada, portanto. E aproveitem para fazer como se faz no Japão, onde usam os pulos dos fãs na geração de energia elétrica para o estádio.

O Rival

Se não houvesse o outro, não seríamos nós mesmos. Só somos brasileiros, porque existem portugueses, italianos, japoneses e argentinos. Se não fosse o River, o Boca não seria tão grande. Durante a Guerra Fria, se os soviéticos não investissem tanto no esporte, os EUA não seriam potência esportiva. Naquela situação uma vitória nas Olimpíadas simbolicamente significava supremacia ou do socialismo, ou do capitalismo.

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental no Mundial FIFA 1974

Dentre diversos motivos o Corinthians é Corinthians em função da grandeza do Santos, São Paulo e Palmeiras. Isso faz com que queiram ser mais. E vão querer ser mais ainda. O futebol gaúcho é bem-sucedido porque um clube, em certas ocasiões, teve bastante sucesso (Grêmio). O outro não ia querer ficar atrás e correu à frente (Inter). O mesmo não acontece no futebol do Rio nem em Minas Gerais. Nas Alterosas qualquer conquista do Cruzeiro fará a instituição maior que o rival: o Atlético há muito tempo não vence nada. O mesmo passa no Rio de Janeiro. As equipes não ganham muita coisa, portanto não vêem sentido em investir para serem maiores e melhores.

É por isso que o rival tem um papel fundamental na indústria do esporte. Certamente não é o único motivo para a existência e sobrevivência de uma instituição esportiva, no entanto, é um dos fatores que mais impulsionam este universo.

Em tempo: se há o Celtic, é porque existe o Rangers, logo, se há católicos romanos (Celtic) é porque há aqueles que não são (Rangers).

Timón

A conquista do principal torneio de clubes do continente tem levado o Corinthians a expandir as suas fronteiras econômicas, para além das futebolísticas. As contratações do argentino Martínez e do peruano Guerrero não sugerem somente potencializar o plantel, mas também a marca do clube.

O peruano vem do alemão Hamburgo, o que pode trazer a audiência dos seus fãs do país vizinho. O mesmo caso pode acontecer com Martínez. Ao chamar a atenção para o público estrangeiro não apenas significa que mais camisas serão vendidas no exterior. No entanto haverá uma maior demanda de consumo pelo futebol brasileiro, fazendo com que emissoras de televisão de diversos países se interessem em transmitir o nosso campeonato nacional. E, para isso, se paga uma boa quantia de dinheiro.

É pena que o Brasil e seus clubes estejam fazendo isso só agora, mas bom que faça, em uma altura em que o Campeonato Brasileiro foi considerado, pela IFFHS (Federação Internacional de Estatísticas de Futebol) o 3º torneio mais competitivo do mundo. O Corinthians, pela BDO, a marca esportiva mais valiosa do país. O futebol e clubes argentinos fazem isso há algum tempo. Para se ter uma ideia, nós aqui ‘consumimos’ a II Divisão deles. Nomes como ‘Desamparados’, ‘Defensa y Justicia’ e ‘Almirante Brown’ são cada vez mais comuns entre aqueles que seguem o futebol pelo mundo.

Num momento em que já se passou da hora de encarar o esporte como um produto, internacionalizá-lo tornou-se mais que uma obrigação em um mercado global. Os corinthianos não fazem isso sozinhos: Santos, com Fucile e Internacional, com D’Alessandro e Forlán, são grandes exemplos. Quem ganha é o espetáculo e, sobretudo, os consumidores (também conhecidos como torcedores) que pagam por ele.

Rusgas

Armênia e Azerbaijão não podiam e não caíram no mesmo grupo de apuramento ao Mundial FIFA 2014. Também evitou-se de que Geórgia e Rússia se enfrentassem. Motivo: guerras e rivalidades históricas.

A Geórgia recentemente entrou em guerra com a Rússia. Armênios e Azeris são rivais há séculos. Por outro lado, Croácia e Sérvia vão se enfrentar. Há 20 anos, em jogo pelo campeonato da antiga Iugoslávia (à altura em processo de desintegração), torcedores do Estrela Vermelha (de Belgrado, que representava os sérvios) e do Dínamo Zagreb (clube da atual capital croata) se enfrentaram nas ruas, em episódio que ruiu a modalidade daquele antigo País. Depois disso, o futebolista croata e destaque do Estrela Vermelha, Robert Prosinecki, alegou que não tinha mais condições de atuar pelo clube: era um croata em meio a uma instituição cujos torcedores representavam o nacionalismo sérvio, que era contra a sua nacionalidade.

O mesmo aconteceu no basquetebol. No mundial de 1990, na Argentina, a Iugoslávia era a campeã, após bater os soviéticos na final. Um torcedor invade a quadra com a bandeira croata, que àquela época pleiteava a independência. Vlade Divac, sérvio e jogador daquela seleção, agarra o torcedor, tira a bandeira das mãos dele e a joga ao chão. Drazen Petrovic, croata, companheiro de seleção e amigo de Divac, vê a cena. Depois deste fato, Divac e Petrovic não se falaram mais. Petrovic morreria em um acidente de carro em 1993. Em 1992 a Croácia conquistava a independência.

No futebol, em 2007 a partida Azerbaijão-Armênia, pelas eliminatórias à EURO’2008, foi suspensa por motivos diplomáticos. No entanto, nem tudo são rusgas: o Rugby conseguiu unir os também históricos desafetos quirguizes e cazaques, em jogo válido pelo apuramento ao Mundial 2011, na Nova Zelândia.

Quirguistão-Uzbequistão, em 2008. Fonte: IRB

Quirguistão-Uzbequistão, em 2008. Fonte: IRB

O esporte é sim instrumento para a paz, ao longo prazo, utilizado como instrumento formador e educador. Na alta competição, pensar que interrompe guerras e aproxima alguns Países, de fato, improvável. Estados Unidos e Irã não reataram relações diplomáticas depois da Copa do Mundo FIFA 1998. Nem a Argentina com a Inglaterra, após o Mundial FIFA de 1986*. Muito pelo contrário, acirrou a rivalidade. Contendas históricas não são cegas ao esporte. Toda nação possui a sua história. Se a nação está envolvida, está também envolvida a história. E história não se esquece.

* – apenas reataram as relações em 1990.



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